Nossa História
A história da Associação de Proteção à Infância Vovô Vitorino, começou com o Sr. Vitorino Xavier, nascido em 29 de setembro de 1931, em Congonhas - Pr, casado com a Sra. Lazara Maria Leite Xavier, nove filhos.

Vitorino Xavier viveu em Nova Fátima, interior do Paraná até 1962, onde com quatro filhos passava muitas dificuldades econômicas. Buscando melhorar de vida, mudou-se para Ivaiporã, também no interior do Estado do Paraná, onde consolidou sua estabilidade financeira, teve mais cinco filhos e construiu uma história de dignidade e cidadania.

Foi por um mandato, vereador do referido município, obtendo muitas conquistas aos trabalhadores rurais, aos quais muitas vezes facilitou acesso a saúde, pois Vitorino morava há uma quadra do Hospital dos Trabalhadores Rurais de Ivaiporã e recebia em sua residência famílias sem nenhum poder aquisitivo, que necessitavam permanecer na cidade para realizar exames. Sem jamais cobrar nenhuma retribuição, sempre afirmou que sua gratificação era o restabelecimento da saúde daquelas pessoas, que de outra forma estaria impossibilitados de realizar qualquer tratamento.

Como agricultor sempre acreditou na política agrícola, era pessoa pública, de idoneidade ilibada, era o avalista ideal a qualquer cidadão que almejava um financiamento para o plantio, desta forma, tendo em vista o grande número de agricultores que avalizou e que por fim, faliram, a partir de então, entregou grande parte de seus bens para quitar dívidas de outros junto às instituições financeiras.

Diante de tudo isso, junto com a família, se tornou mais um no grande êxodo rural brasileiro e em 1983 mudou-se para a capital do Estado em busca de uma oportunidade de emprego para os filhos e principalmente a continuidade aos estudos dos mesmos, o que Vitorino sempre considerou prioridade.

No entanto suas atividades e seus ideais ficaram ofuscados diante de uma cultura totalmente diferente, de cidade grande, onde sofria calado uma profunda tristeza, porém não comentava, pois os sonhos dos filhos eram prioritários e estes estavam sendo realizados, todos estudando, trabalhando, como havia almejado. Com o passar do tempo começou a discutir com os moradores vizinhos a respeito dos problemas do bairro, enfatizando que os mesmos só seriam resolvidos com a organização e participação de todos, participando ativamente na Associação de Moradores da Vila Vitória, no Pinheirinho.

Em 1990 uma de suas filhas participou de um programa de recolocação da prefeitura Municipal de Curitiba e COHAB-CT de uma área de ocupação no Sitio Cercado para o bairro Jardim da Ordem. Neste momento então, Vitorino tendo a oferecer apenas uma força de trabalho, foi construir a casa da filha, nesta vila, que não contava com nenhuma infraestrutura. Nesta época recebiam água através de caminhão pipa, e Vitorino ajudava as donas de casa com os baldes e fazia amizade com as crianças de toda a vizinhança, que vinham almoçar com ele e ouviam sua história de vida e a importância que devemos dar ao trabalho, atuando como um verdadeiro educador, pois sabia que essas crianças, muitas vezes, ficavam sozinhas enquanto seus pais iam em busca do seu sustento.

Esse horário de almoço começou a tornar-se um momento sagrado, dado o resultado que das conversas junto as crianças, seus pais começaram a observar que os filhos estavam mais obedientes, não estavam saindo para rua. Vitorino criou um vínculo com estas famílias estabelecendo um processo educativo informal, porém com o resultado surpreendente.

Em 07/10/1992 como os outros dias, preparou o almoço, conversou com suas crianças, comprou coisas para o aniversário de seu neto, visitou os filhos e ao retornar, sofreu um acidente trágico e fatal.

De um dia para o outro, outra realidade estava posta, aquelas crianças não tinham mais "hora do almoço" daquele Vô Batuta, conforme era chamado pelos netos e pelas crianças da comunidade.

Inicialmente a família não teve forças para enfrentar aquelas crianças e contar o que havia acontecido. No entanto, sua filha tinha que visitar sua casinha, e as crianças sempre estavam no local, para ver se trazia alguma novidade ou até mesmo algo para comer.

Em janeiro de 1993, esta filha de Vitorino formou-se em Serviço Social pela PUC – PR, e convidou suas outras irmãs a dar continuidade ao trabalho iniciado pelo seu pai, visto que sua irmã mais nova também estava cursando Serviço Social, e juntas poderiam oferecer um pouco daquilo que seu pai vinha realizando aliado ao conhecimento obtido na universidade.

Não conheciam as famílias como seu pai e então decidiram convidá-las através de serviços de alto-falante a participarem de uma reunião, onde apresentariam uma proposta de trabalho, no intuito de dar continuidade ao que seu pai havia iniciado. Compareceram aproximadamente cinquenta famílias, e assim surgiu a Associação de Proteção à Infância Vovô Vitorino - O Vô Batuta.

Em 18/09/94 registrou-se o início da instituição, elegeu-se uma diretoria, discutiu-se o estatuto que daria as diretrizes de ação, sempre de forma democrática e transparente.

Inicialmente, atendíamos crianças de quatro meses a cinco anos e onze meses, situação de risco e vulnerabilidade. Tivemos muitas dificuldades para manter na época 30 crianças, sem estrutura física, sem condições financeiras, somente com ajuda da comunidade que também não tinha posses, mais tinha boa vontade e ajudava voluntariamente.

Por volta de 1996 tivemos uma intervenção do poder público, alegando que não possuíamos estrutura adequada para as crianças. Houve muita revolta na comunidade, procuramos o prefeito com um abaixo assinado, com mais de mil assinaturas, e o prefeito deu um prazo para melhorar a estrutura da creche, realizou-se então um grande mutirão e foram feitos os reparos solicitados, assim foi liberado e formalizado o funcionamento.

As crianças de 0 a 03 anos ficaram na creche da prefeitura e ficamos com as crianças de 04 a 06 anos em regime pré-escolar.

A partir dessa mobilização comunitária, o Poder Público passou a nos olhar com mais respeito e a situação começou a apresentar grande melhora. A Secretaria Municipal do Abastecimento de Curitiba nos procurou para um cadastro junto a empresa Arapuã que nos doava todos os dias 20 refeições para oferecermos às crianças, este seria o projeto Refeição Solidária. Alguns anos depois, esta mesma Secretaria trouxe até a nossa entidade a empresa La Violetera, que atualmente apadrinha as nossas crianças em festas como Páscoa, Dia da Criança, Natal, e passou também a nos oferecer todos os dias 10 refeições. A empresa doou freezer, geladeira, fogão e mesas para o refeitório e atualmente nos apoiam com sua sede campestre para as crianças fazerem passeios.

Muitas outras parcerias vieram a fim de construir com a expertise da instituição, que continua crescendo, com credibilidade e apoio da comunidade, onde é protagonista de sua história.
risco
Nossa Missao
Atender crianças e adolescentes, bem como seus familiares, nos aspectos biopsicossociais e culturais, prevenindo-os para o futuro com ações sócio educativas, valorizando-os enquanto pessoas e cidadãos.
 

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/associacaovovovitorino

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